A Gartner é uma das empresas mais respeitadas do mundo quando o assunto é tendências tecnológicas. Sediada nos Estados Unidos, essa firma de pesquisa e consultoria atende a mais de 15.000 clientes em mais de 100 países, e sua receita anual chega a quase 4 bilhões de dólares.

No fim de outubro, a empresa realizou em São Paulo o Gartner Symposium/ITxpo 2018, encontro de CIOs e executivos seniores de TI. Durante o evento, foram apresentadas previsões estratégicas e tendências em tecnologia para o ano que vem.

Neste texto, você vai conhecer melhor 7 das 10 principais tendências tecnológicas para 2019 segundo a Gartner. Confira.

1. Objetos autônomos

Robôs, drones e veículos autônomos usam inteligência artificial (AI, na sigla em inglês) para automatizar tarefas antes realizadas por humanos. Essa automação está indo cada vez mais além de modelos rígidos de programação e usando a AI para adotar comportamentos sofisticados que interagem mais naturalmente com o ambiente e as pessoas. Um exemplo simples são as lutas de robôs, que ficam a cada ano mais acirradas.

No fim de 2016, a Amazon fez sua primeira entrega com um drone, no Reino Unido. A empresa agora aposta pesado em desenvolver essa tecnologia, que poderia representar uma economia de bilhões de dólares por ano em logística. Drones também poderão ser usados com mais intensidade na agricultura e podem passar a fazer a colheita.

Finalmente, não é segredo que a Uber, que cresceu oferecendo um serviço de carro sem taxistas, pretende no futuro eliminar também a necessidade de motoristas parceiros. Carros autônomos da empresa já rodam nos Estados Unidos e a ideia é expandir a frota inteligente.

2. Desenvolvimento conduzido por inteligência artificial

Atualmente, os cientistas de dados fazem parcerias com desenvolvedores de aplicações para criar a maior parte das soluções com AI. Esse paradigma está mudando em direção a um outro modelo, no qual o desenvolvedor profissional pode trabalhar sozinho, usando modelos de AI predefinidos que são entregues como parte de um serviço. Trata-se de oferecer um ecossistema de algoritmos de AI e ferramentas capazes de integrar AI e modelos prontos em uma única solução. 

A Gartner também prevê que a própria AI vai automatizar várias das funções em ciência de dados, desenvolvimento de aplicativos e testes. “Até 2022, pelo menos 40% dos novos projetos de desenvolvimento terão co-desenvolvedores de AI na equipe”, diz o site da consultoria.

Mais do que isso, a tendência é que ferramentas de AI que permitem a não-profissionais gerarem aplicativos deem lugar à era do “desenvolvedor cidadão”. Da mesma forma que aconteceu com a produção de jornalismo e vídeos, também o desenvolvimento será uma atividade popularizada, acessível a pessoas que não fizeram curso na área.

3. Digital twins (gêmeos digitais)

O digital twin é um “Sim City real”  uma representação digital de uma entidade ou sistema. As empresas vão começar produzindo gêmeos simples, que vão evoluir com o tempo, aprimorando sua capacidade de coletar e visualizar os dados corretos, aplicar análises e responder a objetivos de negócios. Lições e oportunidades descobertas no ambiente virtual podem ser aplicadas depois ao mundo físico.

Os primeiros gêmeos digitais foram concebidos pela NASA no começo da corrida espacial e continuam sendo usados pela agência. Em sua realização final, um digital twin permitiria criar, testar e construir um equipamento no ambiente virtual. Apenas quando tudo estivesse funcionando plenamente, a empresa passaria a fabricar o objeto no mundo real.

4. Blockchain

Inventada em 2008 para dar suporte ao bitcoin, a blockchain tem aplicações muito além das criptomoedas. Ela promete permitir confiança, transparência e redução de fricções entre sistemas de negócios, reduzindo a necessidade do uso de bancos, câmaras de compensação, casas de câmbio, governos e outros “guardiões da verdade”.

Segundo David Cearley, vice-presidente da Gartner, as atuais tecnologias e conceitos de blockhain são imaturos e pouco compreendidos. Porém, elas ainda têm grande potencial disruptivo, de forma que “CIOs e líderes em TI deveriam começar a avaliar a blockchain, mesmo se não adotarem agressivamente essa tecnologia nos próximos anos”.

5. Espaços inteligentes

Um espaço inteligente (smart space) é um ambiente físico ou digital no qual pessoas e tecnologia interagem de forma aberta, conectada e coordenada. Podemos imaginar casas e escritórios que respondem automaticamente às ações e vontades de seus ocupantes. Quem sabe no futuro faremos check-in no aeroporto apenas chegando no saguão, sem necessidade de tirar o celular do bolso.

As prefeituras de cidades inteligentes já usam dados coletados por câmeras, cidadãos e sensores para monitorar e administrar trânsito, energia, abastecimento de água, coleta de lixo, bibliotecas, escolas, hospitais etc.

6. Empowered edge

A computação na borda (edge computing) é um paradigma no qual a maior parte do processamento é realizado em nós, em vez de num ambiente centralizado em nuvem. É um desenvolvimento importante na Internet das Coisas, deslocando recursos, análise e AI para mais perto das fontes coletoras de dados (como uma geladeira, portão, alarme etc.). Uma das principais motivações é que manter o tráfego no local reduz a latência.

A Gartner prevê que até 2028 veremos um aumento constante na capacidade de sensores, armazenamento, processamento e AI em dispositivos “edge”, ou seja, aqueles associados à Internet das Coisas. De aparelhos industriais a telas e motores, essas máquinas ficarão cada vez mais parecidas com computadores.

7. Ética digital e privacidade

Consumidores e eleitores estão adquirindo mais consciência sobre o valor de seus dados pessoais, e cresce a preocupação com o uso dessas informações por empresas e governos. Quem não prestar atenção pode perder clientes.

Para citarmos dois exemplos recentes no Brasil, o Marco Civil da Internet foi publicado em 2014, e a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais em 2018, esta inspirada pelo GDPR europeu. A nova lei brasileira, que entra em vigor em 2020, prevê que toda empresa deverá indicar um “encarregado pelo tratamento de dados pessoais”, e regula como clientes podem acessar, corrigir e até mandar apagar informações.

Conhecer as tendências tecnológicas é importante no momento de saber para onde o mercado está se deslocando e quais são as oportunidades mais promissoras. Melhor ainda é se antecipar a elas  ou criá-las. E você, o que pretende desenvolver em 2019?

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