A mobilidade corporativa é um caminho sem volta. Desde que os primeiros smartphones surgiram e permitiram realizar, em qualquer lugar, tarefas antes restritas ao escritório, muita coisa mudou.

Termos como “BYOD” e “consumerização”, que já foram considerados meros chavões, tornaram-se parte do nosso vocabulário diário de tecnologia — e o uso de dispositivos móveis no ambiente corporativo só tende a aumentar.

Ao mesmo tempo em que a maior flexibilidade de atuação permitiu ganhar produtividade, surgiram algumas inevitáveis preocupações. Por exemplo: como garantir a segurança de dados sigilosos da empresa no aparelho pessoal de um colaborador? Como evitar o uso de aplicativos sugadores de produtividade em um dispositivo empresarial?

Foi para sanar essas e outras questões que surgiu o Mobile Device Management (MDM). Neste post você verá como a gestão de dispositivos móveis pode ser um elemento vital para a rotina de uma empresa.

Confira e saiba em detalhes o que é e como funciona essa ferramenta, quais são as suas aplicações, os benefícios da sua implementação e como ganhar dinheiro com isso. 

E aí, vamos lá? Acompanhe até o final e saiba como você pode multiplicar seus lucros com essa ferramenta. Boa leitura!

O que é o MDM?

Chamamos de MDM (“Mobile Device Management”) o gerenciamento de todos os dispositivos móveis inteligentes (tablets e smartphones) das empresas. Essas soluções se caracterizam por operar de forma integrada e centralizada com vários sistemas operacionais, independentemente do fabricante ou do tipo de conexão à internet.

Essas ferramentas possuem funcionalidades que vão desde o monitoramento remoto até a segurança das informações e sistemas, passando pela gestão dos aplicativos instalados, pela geolocalização e pelo controle de inventário, pela aplicação de políticas de uso e muito mais.

A demanda pelo MDM aumentou muito desde que a mobilidade se tornou padrão para a maioria das empresas. A adoção do BYOD — “Bring Your Own Device”, quando os colaboradores usam os seus próprios dispositivos para trabalhar — e a facilidade de acessar dados antes disponíveis apenas nos escritórios fez com que surgisse a preocupação com a segurança, a integridade e a gerenciabilidade destes

A consultoria Gartner prevê que, em 2018, 70% dos profissionais móveis conduzirão seu trabalho em dispositivos inteligentes pessoais. Para prestadoras de serviços e soluções de TI, a mensagem é clara: as pequenas e médias empresas querem usufruir do BYOD e dos seus benefícios — mas, em muitos casos, simplesmente não têm certeza de como elaborar e implementar um MDM eficaz.

Esse cenário cria uma oportunidade de ouro para que você dê um passo adiante, demonstre o seu valor como um fornecedor de serviços e melhore o atendimento de TI — afinal, os dispositivos móveis são apenas mais um ponto a ser gerenciado.

Como funciona a ferramenta?

Se a mobilidade torna os funcionários mais produtivos, eficientes e responsivos, por que as empresas realmente precisam gerenciar esses dispositivos móveis? Bem, os funcionários podem não querer manter um dispositivo apenas para trabalhar.

Eles querem acessar seus e-mails de trabalho, verificar seus perfis no Facebook, jogar uma partidinha de Candy Crush e analisar uma apresentação futura durante o almoço.  Foi exatamente essa necessidade de “dual personas” que desencadeou a criação do MDM.

Permissões, restrições e requisitos de acesso para dados pessoais e corporativos são muito diferentes uns dos outros. Imagine o MDM como um contêiner: qualquer coisa colocada no contêiner de trabalho dos dispositivos dos funcionários ficará lá e o usuário poderá continuar a acessá-lo, desde que tenha as permissões apropriadas.

Em alguns casos, a experiência de uso para o usuário final é idêntica quando um MDM é implantada. O que muda é a capacidade de controlar o contêiner — e o fluxo de informações para e a partir dele.

Vamos a um exemplo prático: um garçom é contratado em um restaurante popular com uma alta taxa de rotatividade. O estabelecimento usa um aplicativo de celular para receber pedidos e requer que esse app seja instalado no dispositivo pessoal dos funcionários.

Após seis meses, o garçom decide deixar o local. Com o MDM, o restaurante é capaz de limpar seletivamente os dados no dispositivo do garçom, removendo apenas o aplicativo do restaurante e suas informações relacionadas, deixando todos os outros dados intocados.

Outro bom exemplo: digamos que você tenha um consultório médico como cliente. O médico tira férias de fim de semana e leva o iPad contendo todos os registros e informações dos pacientes do consultório.

O que acontece se o iPad é perdido ou roubado? Com uma correta política de MDM, o dispositivo pode ser completamente limpo de maneira remota, eliminando qualquer risco de violação dos dados.

Quais são as aplicações do MDM?

O uso de ferramentas de Mobile Device Management é fundamental para garantir segurança e eficiência na gestão dos dispositivos. Existem, atualmente, várias ferramentas de MDM no mercado que conseguem realizar diversos comandos remotamente, como a aplicação de restrições, limpeza seletiva do conteúdo corporativo, bloqueio do dispositivo e controle de acessos e funcionalidades.

Além da adoção geral do MDM e dos casos de uso, há uma série de oportunidades para os prestadores de serviços de TI. A seguir, apresentamos alguns mercados nos quais a aplicação de uma boa estratégia de MDM é inevitável.

Confira!

Saúde

O requerimento de compliance HIPAA (“Health Insurance Portability and Accountability Act” ou, em português, Portabilidade de Informações de Saúde) é um dos maiores desafios das organizações de TI em saúde — mas também uma boa deixa para avançar sua agenda de segurança.

Imagens médicas, dados de pacientes e todo tipo de informações confidenciais têm sigo armazenadas em dispositivos móveis. Não há grandes impedimentos quando se trata de quebrar a conformidade no setor de saúde atual — o que torna quase todos os serviços gerenciados de TI uma grande e lucrativa oportunidade.

Serviços financeiros

A segurança de dados é uma das principais preocupações quando se trata de MDM e é absolutamente imprescindível para as instituições financeiras. Se o funcionário de um banco perder um telefone, por exemplo, como a instituição pode garantir a proteção de quaisquer dados de clientes que podem ser acessíveis a partir desse aparelho?

Quais etapas podem ser tomadas para controlar o dispositivo quando ele é deixado em algum local? Tal como acontece no setor de saúde, a preocupação com dados sensíveis é cristalina aqui. Assim, tudo o que resta para você é demonstrar o valor da sua oferta.

Varejo

Talvez o uso do MDM no varejo não seja tão crítico como nos dois mercados mencionados anteriormente — mas, com a rápida disseminação de sistemas de pagamento via celular, pode ser que esse cenário mude.

Seja um caminhão de comida ou uma loja de roupas, a necessidade de proteger dados de cartão de crédito e informações transacionais é fundamental. A conveniência de realizar pagamentos por meio de um telefone pode levar a uma série de riscos de segurança se os dispositivos não estiverem devidamente protegidos.

Educação

A tecnologia móvel pode desempenhar um papel poderoso na educação, fornecendo aos estudantes fácil acesso a informações e aplicativos pedagógicos. Além disso, esses dispositivos são frequentemente compartilhados por alunos que podem estar em diferentes estágios de formação.

O uso do MDM permite que os administradores garantam acesso apenas aos dados e aplicativos que os alunos precisam para concluir o trabalho escolar. Assim, tanto os alunos quanto os professores otimizam seu tempo e impulsionam o aprendizado.

Quais são os benefícios dessa ferramenta?

As ferramentas de MDM oferecem cada vez mais recursos para que as empresas possam utilizar os dispositivos móveis da melhor maneira possível.

Quem usa os serviços de MDM já consegue realizar diversos comandos e aplicar numerosas restrições, bem como fazer a limpeza do conteúdo empresarial, o bloqueio do dispositivo e impor restrições de funcionalidades baseadas em perfil de usuário, horário e até mesmo geolocalização.

Distribuir aplicativos ou conteúdos em massa já não são mais tarefas complicadas para as ferramentas de MDM atuais: o desafio de agora é garantir que toda essa estrutura se mantenha sempre segura e disponível. A seguir, apresentaremos os três principais motivos para que as empresas adotem uma solução de MDM:

  • segurança: assim como é feito com os computadores e notebooks, as empresas também devem possuir sofisticados processos e controles em relação aos dispositivos móveis;

  • simplicidade: os colaboradores de uma empresa que possuem um smartphone ou tablet não devem ter dificuldades na hora de configurar ou desconectar seus dispositivos;

  • controle: de acordo com seu perfil corporativo, as empresas devem estabelecer controles para disponibilizar apenas os aplicativos e recursos necessários, com a possibilidade de saber como os equipamentos estão sendo utilizados.

Confira agora alguns dos recursos mais populares do MDM:

Exigência de código

O desbloqueio de um dispositivo requer um código de acesso determinado pela gerência. Em ambientes altamente restritos, medidas adicionais à prova de falhas podem ser ativadas — como a limpeza remota de um dispositivo se uma senha incorreta for digitada dez vezes, por exemplo.

Alertas de jailbreak

Fazer jailbreak em um dispositivo com MDM pode descrever a tentativa de ignorar as restrições que estão em vigor no aparelho, o que é uma notícia ruim para todos os envolvidos.

Se um usuário tiver qualquer problema com o MDM instalado em seu dispositivo, ele deve falar diretamente com o seu gerente. Tentar contornar as restrições por conta própria só causará riscos desnecessários. Alertas de jailbreak ajudam a notificar o gerenciamento desses incidentes antes que eles se tornem problemas ainda maiores.

Geofencing

Esse recurso permite que os gerentes restrinjam o acesso a determinados dados e aplicativos com base na localização do dispositivo.

Assim, quando o smartphone estiver no ambiente do escritório, a câmera pode não funcionar e aplicativos de mídia social podem não estar acessíveis, por exemplo. Fora do escritório, no entanto, essas funções são restauradas imediatamente.

Restrições de funções e aplicativos

Sem dúvida, o maior destaque do MDM é ter controle sobre quais aplicativos podem ser instalados ou usados em um determinado dispositivo. Mesmo funções nativas dos sistemas — como Siri, FaceTime e iCloud, no caso do iOS — podem ser desativadas.

Quais são as características do MDM?

Uma boa ferramenta de MDM deve conter, pelo menos, as seguintes características:

  • compatibilidade com os principais sistemas operacionais e plataformas;

  • funcionamento por meio de múltiplos provedores;

  • implementação over the air (o que inclui a capacidade de configurar dispositivos remotamente);

  • atividades como compartilhamento de documentos, acesso à rede da empresa, gestão de dados e aplicações, automatização e segurança;

  • suporte à implementação de políticas diferenciadas para dispositivos, aplicações e dados corporativos e/ou privados (a chamada “conteinerização”).

No mundo corporativo atual, é comum ouvir termos como BYOD e consumerização. Ambos são elementos essenciais em uma estratégia de MDM — a diferença é apenas a origem do dispositivo.

Como apontamos, no BYOD o aparelho pertence ao usuário: ele o adquiriu e o levou para o trabalho. Já na consumerização, o dispositivo é de propriedade da empresa ou é feita a locação de hardware, quando o aparelho é cedido ao funcionário. Veja a seguir as diferenças de administração para cada modelo:

BYOD

Quando os colaboradores usam os seus dispositivos pessoais na empresa, os gerentes devem definir se a rede corporativa aceitará ou não a conexão desses aparelhos.

Em caso negativo, o Wi-Fi deve estar preparado para isolar esses equipamentos. Já no caso de aceitá-los, o sistema de identificação do usuário e dispositivo deve ser bastante eficiente, com políticas de acesso bem específicas.

Outra questão fundamental no BYOD é a aplicação de políticas de QoS (“Quality of Service”) para minimizar o impacto na performance da rede quando um grande volume de dispositivos estiver conectado ao mesmo tempo.

Consumerização

O controle desses equipamentos dentro da rede é fundamental. Para isso, os gerentes deverão criar boas políticas de autenticação, bem como estabelecer os padrões de QoS desejados para aquele dispositivo e definir SLAs (“Service Level Agreement” ou, em português, Acordo de Nível de Serviço) para garantir e auditar a performance do aparelho.

Implementar mecanismos de controle sobre as aplicações instaladas é fundamental, pois permite desviar o dispositivo para uma rede de quarentena em casos de emergência. Por fim, a arquitetura deve ser simples e permitir crescimento de forma infinita, sem sobressaltos.

Como implementar o MDM na empresa?

Antes de implantar um projeto de mobilidade corporativa, a empresa deve definir se adotará uma estratégia de BYOD ou de consumerização. Essa decisão deve levar em conta alguns fatores, como os profissionais que terão acesso aos dados corporativos via dispositivos móveis e as suas necessidades de uso.

O BYOD é uma opção para quem deseja reduzir os custos com a compra de equipamentos que logo ficarão obsoletos. Além disso, também possibilita que o profissional use o modelo de aparelho da sua preferência.

Já a consumerização pode ser a melhor escolha no caso de empresas que utilizam aplicações importantes para a operação, como apps de aprovação de fluxo financeiro. Quando há a necessidade de integração com um sistema interno, é vital possuir o controle dos dispositivos compatíveis para que a comunicação se dê com segurança.

Ao adotar uma ferramenta de MDM, a empresa deve pensar em vários fatores. Afinal, nem todas as ofertas de gerenciamento de dispositivos são criadas da mesma forma e os recursos essenciais podem diferir razoavelmente de um negócio para o outro.

Pense nos seus clientes, nos setores em que você atua e em qualquer outra coisa que possa criar requisitos exclusivos para sua estratégia. Muitas vezes, a implementação pode ser penosa devido à falta de planejamento.

A seguir, listamos alguns dos principais pontos que você deve levar em consideração antes de implementar uma solução de MDM. Confira!

Espaço físico para a configuração dos dispositivos

É importante saber o tamanho da implementação para dimensionar o espaço físico ideal. Trabalhar no formato de linha de produção, com uma grande bancada que permita configurar vários dispositivos ao mesmo tempo, tende a ser muito mais efetivo.

Quantidade de pessoas envolvidas na operação

Procure saber o tempo médio para a preparação de um dispositivo. Assim, se a inscrição e configuração de um aparelho levar em média quinze minutos, você saberá que é possível configurar até quatro dispositivos por hora — uma jornada de oito horas significaria trinta e dois dispositivos configurados ao todo.

Logo, em um projeto de cem dispositivos, você precisará de, pelo menos, três pessoas para finalizar a operação em um dia.

Rede sem fio

Seguindo com o exemplo de cem dispositivos, se o ponto de acesso a ser utilizado possuir poucos recursos, logo sua capacidade máxima de usuários será atingida. Para solucionar esse problema, você pode usar um ponto de acesso exclusivo para a operação, o que permitirá reiniciá-lo sem prejudicar os usuários de outra área.

Porém, o melhor mesmo é que, além de exclusivo, o seu ponto de acesso tenha uma alta capacidade para a conexão de usuários simultâneos.

Operadora de celular

Ainda que os aparelhos sejam configurados via Wi-Fi, é importante ter a definição do uso ou não de um chip no dispositivo, já que a ferramenta de MDM coleta essa informação durante a inscrição. Esse procedimento simplifica muito a gestão de ativos e o cruzamento de dados do IMEI do aparelho com o número do telefone.

Atualizações de aplicativos, pacotes e sistemas operacionais

Durante o processo de homologação, veja se o dispositivo está listado para receber atualizações de sistemas ou aplicativos. Em caso positivo, faça com que esses procedimentos sejam realizados previamente em todos os aparelhos.

Isso evitará que você prepare todo o serviço, inicie a execução e então se depare, por exemplo, com uma grande atualização do sistema operacional. Esse tipo de surpresa desagradável toma muito tempo e pode atrasar a operação e entrega do projeto.

É possível ganhar dinheiro com o MDM?

Todos esses benefícios do MDM parecem ótimos, não é mesmo? Você pode ajudar seus clientes a aumentar a produtividade dos funcionários, dar suporte BYOD, proteger seu local de trabalho e muito mais.

Quer saber quão grande é exatamente a oportunidade para as prestadoras de serviços de TI? Vejamos um exemplo hipotético: digamos que você é uma empresa que atende 200 clientes, cada um deles com uma média de 25 funcionários.

Se todos eles tiverem um dispositivo móvel, você terá 5 mil dispositivos com potencial de gerenciamento com o MDM. Interessante, não? Continuando com a hipótese e analisando mais alguns números, suponhamos que você pague R$ 10 por mês para a sua solução MDM e que cobre de seus clientes R$ 20 mensais para um pacote básico.

Caso você consiga conquistar apenas 10 clientes no grupo de 200, isso significa R$ 2.500 de lucro todo mês — ou R$ 30 mil por ano. Nada mau, certo? Na realidade, a oportunidade pode ser ainda maior. Muitos funcionários provavelmente têm mais de um dispositivo, o que tende a deixar as suas margens de lucro ainda mais altas.

Assim que estiver confortável em fornecer serviços de MDM para esse grupo inicial, basta prospectar novos clientes e repetir o processo. Se conseguir transformar esses 10 clientes de MDM em 50, você terá R$ 150 mil em novos lucros anuais. Melhor ainda: se você conquistar todos os 200 clientes, isso significará um lucro anual de R$ 600 mil.

Conclusão

No final das contas, o que todos querem é aproveitar seus dispositivos móveis para operar com mais produtividade — e os empresários sabem disso. De acordo com uma pesquisa do SMB Group, 67% das prestadoras de serviços de TI veem soluções e serviços móveis como elementos críticos para os seus negócios.

A oportunidade está aí. Como um prestador de serviços de TI, você precisa estar pronto para intervir e atuar como um verdadeiro especialista em mobilidade.

Com a solução e a estratégia corretas, você pode fornecer aos seus clientes uma abordagem saudável e equilibrada de gestão de equipamentos móveis, fazendo com que todos, de funcionários a gerentes, fiquem satisfeitos ao final do dia.

Esperamos que este post tenha sanado as suas incertezas sobre Mobile Device Management. Se ainda persistir alguma dúvida, não hesite em entrar em contato conosco: teremos o maior prazer em atendê-lo.

Caso tenha gostado deste conteúdo e queira continuar aprendendo, clique aqui e veja como o outsourcing de TI pode reduzir drasticamente os custos operacionais da sua empresa. Até a próxima!